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Homenagem a Charlie Rivel

5 mar

Jaque visita o Circus Krone na Alemanha!

A enviada do grupo ao velho mundo olha, observa, pesquisa por todos. Nossa atriz em férias de verão (risos) não perde a chance de beber nas fontes européias.

O Circo Krone é o maior circo da Europa e surgiu em 1870. Possui em Munique uma estrutura fixa para abrigar os espetáculos durante o período do inverno. Por fora um prédio grandioso e por dentro um circo como outro qualquer.

E foi em um dia de muito frio que nossa atriz vestiu a camisa dos Geraldos, foi assistir a um espestáculo e aproveitou para posar ao lado do nosso grande amigo Charlie Rivel. Provando que isso não é só marketing de quem sabe roubar fotos da internet! Sim, ela realmente esteve lá. Olha só:

 

O nome verdadeiro deste palhaço era Josep Rivel, mas ele acabou colocando Charlie em homenagem a Charlie Chaplin.

Durante o processo de criação dos Números, Rivel foi uma grande fonte de inspiração para nós, que vimos e revimos muitas vezes suas cenas maravilhosas.

Josep Andreu i Lasarre “Charlie Rivel”, nasceu acidentalmente em Cubelles (Catalunha/Espanha), no dia 23 de abril de 1896, durante uma das turnês de seus pais (naquela época, saltimbancos ambulantes), que tiveram de interromper suas atuações na rua (não puderam passar o chapéu), para dar a luz ao nosso querido “Charlie”. Seu pai, Pere Andreu Pausas (catalão) e sua mãe Marie-Louise Lasarre (francesa), naquele então, viajavam a pé, de cidade em cidade, empurrando uma carroça onde levavam o escasso material e seus poucos pertences.

Charlie estreou nos palcos aos dois anos. Atuou com sua família em diferentes combinações até que em 1935, por desavenças de todo tipo, inicia sua carreira solo, obtendo fama mundial.

Sua grande sensibilidade e sua enorme capacidade de se comunicar sem palavras o transformaram no mais ilustre, internacional e famoso clown espanhol. Foi considerado como um dos melhores palhaços do mundo.

Sua vida é cheia de histórias curiosas; uma das anedotas mais especiais que lhe aconteceu foi quando entrando no picadeiro, ainda sem começar sua atuação, uma criança começou a chorar desesperadamente (provavelmente era a primeira vez que via um palhaço). Charlie não podia começar sua atuação pois o público estava mais atento ao escandaloso choro da criança que ao palhaço. Charlie se aproximou cautelosamente do menino para fazer-lhe um carinho e tentar acalmá-lo, mas o resultado foi o oposto e o menino começou a chorar ainda com mais força, ao mesmo tempo que o público adulto ria em um tom que misturava diversão e ternura. Rivel, que era profundo conhecedor da psicologia infantil, voltou para o centro do picadeiro e começou ele também a chorar, desconsoladamente, solidariamente. Isso foi o suficiente. O menino se calou no ato, com os olhos bem abertos pela surpresa de descobrir que aquele ser vermelho e ameaçador sabia, também, se expressar com sua mesma linguagem, tão transparente e direta: o choro. E Rivel continuou chorando: “Uuuuuhh!”. Quando, ainda choroso, voltou a se aproximar da criança, que já estava calma e olhando-o hipnotizada, esta tirou sua chupeta da boca e a ofereceu a Charlie, num ato de solidariedade primária. O choro de Rivel parou e o público se desfez em aplausos. O palhaço aceitou a oferta da criança e, hoje em dia, aquela chupeta histórica se encontra numa das vitrines do Museu Charlie Rivel de Cubelles.

Rivel usava, geralmente, um longo e justo vestido vermelho, cabelos grandes e laranjas, e um famoso nariz quadrado, reconhecido, ainda hoje, como “o nariz de Rivel”. Como palhaço, atuava de maneira lenta e meticulosa. Ele aparece em alguns filmes, como no “Os clowns”, de F. Fellini. Sobre a arte do palhaço, Rivel sentenciou: “O palhaço não morrerá jamais!”

Este texto é do mundoclown.com.br. Para quem se interessa por palhaço o site está cheinho de informações.

Vale também registrar mais nomes de peso do mundo clown, que se apresentaram no Circus Krone: Crock e Karl Valentin. Não conhece? Joga no Google.

E para quem quiser ver Rivel na ativa, aqui vão alguns links do youtube:

http://www.youtube. com/watch? v=el8aVumuasI

http://www.youtube. com/watch? v=9hK_G5EdmAk

http://www.youtube. com/watch? v=mnqpoCepV8w

Ah! E a  homepage do circus krone é http://www.circus- krone.de/ en/munich/ index.html.

Divirtam-se!!!!!

Diderot. Paradoxo sobre o comediante.

26 fev

Estamos estudando este texto e resolvemos compartilhar alguns trechos que achamos interessantes.

Comentários para discussões futuras são super bem vindos…

Lá vai!!!

….

Não é no furor do primeiro jato que os traços característicos se apresentam, é em momentos tranquilos e frios, em momentos totalmente inesperados. Não se sabe de onde semelhantes traços provém; eles se parecem com a inspiração. É quando, suspensos entre a natureza e o esboço que fazem, esses gênios dirigem alternadamente um olhar atento a um e outro; as belezas de inspiração, os traços fortuitos que espalham em suas obras, e cuja súbita aparição a eles próprios espanta, são de um efeito e de um êxito assegurados de maneira bem diversa daquilo que jogam num repente. Cabe ao sangue-frio temperar o delírio do entusiasmo.

Não é o homem violento que está fora de si que dispá de nós: trata-se antes de uma vantagem reservada ao homem que se domina. Os grandes poetas dramáticos, sobretudo, são espectadores assíduos do que se passa em torno deles no mundo físico e no mundo moral.

SEGUNDO – Que são um só.

PRIMEIRO -Apreendem tudo que os impressiona: fazem coleções com isto. É destas coleções formadas neles, sem que o saibam, que tantos fenômenos raros passam às suas obras. Os homens acalourados, violentos, sensíveis, encontram-se em cena; dão o espetáculo, mas não o disfrutam. São eles que servem de modelo ao homem de gênio fazer sua cópia.

” É a extrema sensibilidade que faz os atores medíocres: é a sensibilidade medíocre que faz a muldidão dos maus atores: e é a falta absoluta de sensibilidade que prepara os atores sublimes” As lágrimas do comediante lhe descem de seu cérebro; as do homem sensível lhe sobem do coração: são as entranhas que pertubam desmesuradamente a cabeça do homem sensível; é a cabeça do comediante que leva às vezes passageira pertubação às suas entranhas: ele chora como um padre incrédulo que prega a Paixão; como um sedutor aos joelhos de uma mulher que ele não ama, mas que deseja enganar; como um mendigo na rua ou à porta de uma igreja, que vos injuria quando desespera de vos comover; ou como uma cortesã que nada sente, mas que desmaia em vosos braços.

texto da Clarice.

23 fev
Forma e conteúdo
 
Fala-se da dificuldade entre a forma e o conteúdo, em matéria de escrever até se diz: o conteúdo é bom, mas a forma não, stc. Mas, por Deus, o problema é que não há de um lado um conteúdo e, de outro a forma. Assim seria fácil: seria como relatar através de uma forma o que já existisse livre, o conteúdo. Mas a luta entre a forma e o conteúdo está no próprio pensamento: o conteúdo luta por se formar. Para falar a verdade, não se pode pensar em um conteúdo sem sua forma. Só a intuição toca na verdade sem precisar nem de conteúdo, nem de forma. A intuição é a funda reflexão inconsciente que prescinde de forma enquanto ela própria, antes de subir à tona, se trabalha. Parece-me que a forma já aparece quano o ser todo está com o conteúdo maduro, já que se quer dividir o pensar ou escrever em 2 frases. A dificuldade de forma está no próprio constituir-se do conteúdo, no próprio pensar ou sentir, que não saberiam existir sem sua forma adequada e às vezes única.
 
Clarice Lispector 
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