Maratona de Hay Amor! e Anne Bogart – O Esteriótipo

10 out

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Olá leitores queridos

Nos últimos dias nossa casa anda vaziaaaaa, vaziaaaa!!! A trupe Geraldina estará em Sorocaba ao longo de toda esta semana numa maratona maluca de 11 apresentações do Hay Amor! no Sesc de Sorocaba.

Calma, meu leitor querido, não é preciso ficar chateado, pois nós jamais esqueceríamos de convidá-lo. Acontece que as apresentações, 3 por dia, são fechadas para escolas.

O grupo está participando de um projeto de formação de público e cidadão promovido pelo Sesc. Depois de cada sessão acontecem debates com os jovens, que aproveitam para tirar todas suas dúvidas sobre a vida no teatro! O espetáculo passou neste semestre por uma grande reformulação e reestreou nesta semana com direção coletiva. Contamos também com estréias na equipe: Lucas no papel de Ricardo, Paula na técnica, além de dois parceiros do grupo Tempo … Maíra na produção executiva e Giuliano também na técnica.

Os relatos dos viajantes têm sido extremamente positivos. Os Geraldos estão vivendo uma semana incrível!

Agradecemos o imenso carinho de todos pelo facebook! São mais de 40 novos amigos 🙂

 

Enquanto isso… do lado de cá eu, Roberta e nossa estagiária Tati cuidamos da casa, saudosas da barulheira corriqueira.

Fico imaginando quantos quilos a menos os atores voltarão depois desta maratona física e com quantas histórias a mais na bagagem.

 

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Estréia de Lucas 🙂

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Os novos técnicos: Paula e Giuliano.

 

 

E como de costume, seguimos estudando um pouquinho de Anne Bogart. Com vocês trechos selecionados do capítulo “O Esteriótipo” do livro “A Preparação do Diretor”:

 

O problema com os clichês não é que eles contenham idéias falsas, mas sim que constituem articulações superficiais de idéias muito boas. 

 

Devemos partir da idéia de que é nossa tarefa evitá-los visando à criação de algo inteiramente novo, ou devemos assumir os esteriótipos, passar através deles, atear fogo neles, até que, no calor da interação eles se transformam? (…) Em seu ensaio “Tradition and the Individual”, T.S Eliot sugere que a obra de um artista deve ser julgada não por sua novidade ou inovação, mas sim pela maneira como o artista maneja a tradição herdada por ele. Historicamente, ele escreveu, o conceito de originalidade refere-se à transformação da tradição através de uma interação com ela em oposição à criação de algo absolutamente novo. Mais recentemente, o mundo da arte passou a ficar obcecado pela inovação.

Para fazer Stanley Kowalski em “Uma rua chamada pecado” (vale a pena assistir a esse clássico leitor amigo), você finge que Marlon Brando nunca fez o personagem? O que você faz com os esteriótipos da camisa e da postura? Evita pensar em Brando ou estuda o seu desempenho e faz uso disso? Tenta chegar a um Kowalski inteiramente novo? O que você faz com a lembrança do público?

 

Um esteriótipo é um continente da memória. Se esses continentes culturalmente transferidos são penetrados, aquecidos e despertados, talvez possam, no calor da interação, recuperar o acesso às mensagens, significados e histórias originais que eles incorporam.

 

Como somos capazes de andar e falar, achamos que somos capazes de representar. Mas um ator deve, na verdade, reinventar o andar e a fala para ser capaz de realizar essas ações com eficiência sobre o palco. De fato, as ações mais familiares talvez sejam as mais difíceis de ocupar, seja com vida nova ou com uma cara séria.

 

Muitos atores norte-americanos são obcecados pela liberdade de fazer o que lhes ocorrer. Para eles, a idéia de Kata (na cultura japonesa significa um conjunto predeterminado de movimentos que são repetíveis) é rejeitada porque, à primeira vista, limita a liberdade. Mas todo o mundo sabe que durante o ensaio é preciso estabelecer algo (…) Se há determinação demais, o resultado é sem vida. Se há determinação de menos, o resultado é sem foco.

Portanto, se é preciso determinar algo e também deixar algo em aberto, a pergunta que surge é: estabelecemos o que é feito ou como é feito? Estabelecemos a forma ou o conteúdo? A ação ou a emoção? Graças ao generalizado equívoco norte-americano na compreensão do sistema Stanislavsky, os ensaios muitas vezes passam a se concentrar na produção de emoções fortes e, em seguida, na organização dessas emoções. Mas a emoção humana é evanescente e efêmera, e determinar as emoções diminui o seu valor. Sendo assim, acredito que é melhor determinar o exterior (forma, a ação) e permitir que o interior (a qualidade de ser, a paisagem emocional sempre cambiante) tenha liberdade para se mover e mudar a cada repetição.

 

Até semana que vem!

Jaque Geralda

 

  

 

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