Anne Bogart – Resistência ou O Jatinho dos Geraldos

4 nov

Sim, caro leitor, tudo que é bom dura pouco e nós estamos aqui, no nosso penúltimo post com Anne Bogart. Prometo, no entanto, que nossos estudos não pararão por aqui e seguiremos por pouco tempo órfãos de ricas palavras de algum autor genial. Aceito sugestões de leituras, sim?

Sendo assim, degustem-na devagarzinho, como quando comemos um doce gostoso pelas bordas, para estender a sensação maravilhosa deste encontro.

Semana que vem contaremos mais detalhadamente um pouco sobre as mil e uma viagens da Trupe Geralda neste mês de Novembro. Já adianto que Números de Circo – Um espetáculo para crianças estará neste sábado, dia 08, em Monte Alto e no domingo, dia 09, será a vez do Último Sarau – uma peça de corpo presente no FENATA, em Ponta Grossa. Eba eba!!! Na terça estaremos em Penápolis tb com o Sarau e no restante da semana, acompanharemos a Mostra Final do do Projeto Ademar Guerra em Garça.

Sim…. sim… eu sei que você deve estar do outro lado da tela pensando admirado: Não sabia que os Geraldos tinham um jatinho! Ahhh que bom seria, leitor amigo. Apesar de voarmos para Ponta Grossa, o sonho do jato particular está um tanto distante de nossa realidade mambembe. O negócio é força na peruca e almofada no bumbum para enfrentar as longas horas de vans e busões. O segredo nos momentos de exaustão: não esquecer que durante as efêmeras horinhas de espetáculo, todo esforço vale sempre a pena!

 

jatogeraldos

 

Seguimos com a grande. Capítulo A Resistência.

 

Enfrentar e superar a resistência é um ato heroico que exige coragem e uma ligação com o motivo para agir.

 

A maneira como nos dimensionamos diante das resistências naturais que encontramos todos os dias determina a qualidade daquilo que obtemos. (…) A qualidade de qualquer trabalho se reflete na dimensão dos obstáculos encontrados.

 

Se não há obstáculos suficientes em determinado processo, o resultado pode carecer de rigor e profundidade. (…) A resistência revigora e aumenta o esforço. Enfrentar uma resistência, confrontar-se com um obstáculo ou superar uma dificuldade exige sempre criatividade e intuição.

 

Quanto maior os obstáculos, mais você será transformado no esforço em superá-los. 

 

Preguiça, impaciência e distração são três resistências constantes que enfrentamos em quase todos os momentos em que estamos acordados. O modo como lidamos com esses três inimigos reais determina a clareza e a força de nossas realizações.

 

É natural e humano buscar a união e restaurar o equilíbrio a partir do desequilíbrio do envolvimento com a discórdia. Recite um solilóquio inteiro de Shakespeare a partir de um estado físico de desequilíbrio. Na tentativa de manter equilíbrio e não despencar enquanto fala, cada parte do seu ser busca equilíbrio, harmonia e união. Esse conflito é positivo e produtivo. Der repente, o corpo fala com surpreendente clareza e necessidade. O conflito exige precisão e articulação.  

 

Teatro é um ato de resistência contra tudo e contra todos. A arte é um desafio à morte. Nunca haverá estímulo e apoio suficiente e vamos todos morrer. Então, por que se incomodar? Por que empenhar tanto esforço em uma atividade limítrofe? Por que batalhar tanto com um negócio que no fundo é apenas artifício?

(…)

Tudo o que fazemos nos modifica. Uma grande peça oferece a mais perfeita resistência ao artista de teatro porque coloca grandes questões e trata de problemas humanos cruciais. Por que escolher uma peça insignificante com temas menores? Por que escolher um texto que você sente que consegue dominar? Por que não escolher uma peça que está um pouco além de seu alcance? O alcance é o que transforma você e lhe dá energia para trabalhar e vitalidade.

 

Ouvi uma vez um jovem diretor perguntar insistentemente a um ator, durante os ensaios técnicos, se ele estava se sentindo à vontade. Por fim, tive de perguntar a ele: “O objetivo do ensaio é ficar a vontade?” Um bom ator incomoda o diretor. Um bom diretor incomoda o ator. Eles estabelecem resistências propositais entre si porque perspectivas diferentes servem para esclarecer o trabalho em questão. Cada um tem seu ponto de vista: de fora e de dentro; da experiência da plateia e da experiência do palco. A finalidade é encontrar fluidez e liberdade através da concordância mútua em discordar.

 

Permita que eu proponha algumas sugestões de como lidar com as resistências naturais que as circunstâncias podem oferecer. Não parta do princípio de que você precisa de condições determinadas para fazer seu melhor trabalho. Não espere. Não espere tempo ou dinheiro suficiente para realizar aquilo que tem em mente. Trabalhe com o que você tem AGORA. Trabalhe com pessoas que estão à sua volta AGORA. Trabalhe com a estrutura que você vê ao seu redor AGORA. Não espere por um suposto ambiente adequado e livre de estresse no qual possa gerar algo expressivo. Não espere pela maturidade, pelo insight ou pela sabedoria. Não espere até vocêw ter certeza de que sabe o que está fazendo. Não espere até dominar suficientemente a técnica. O que você produzir agora, o que fizer com as circunstâncias atuais vai determinar a qualidade e o alcance de seus futuros esforços.

E, ao mesmo tempo, seja paciente.    

 

Saudações de Jaque Geralda

 

 

 

 

 

 

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