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Anne Bogart – O Erotismo

8 set

Olá queridos

Sigo seduzindo-lhes com trechos do livro “A Preparação do Diretor” de Anne Bogart. Desta vez somo à minha seleção trechos do capítulo Erotismo selecionados pela Geralda Carol, que durante o processo de construção de sua personagem Jasmine (do espetáculo “O Último Sarau”) entregou-se a esta leitura.

Insisto: O livro todo vale a pena!

Antes de passarmos a palavra à Anne, um breve aviso: estaremos nesta sexta-feira dia 12.09.14 no Festivale em São José dos Campos. Quem for da região e quiser nos assistir está convidado. Aliás quem não mora perto, mas deseja viajar centenas de quilômetros… também fique a vontade! Ficaremos felicíssimos.

Agora sim… Boa leitura! Bons estudos!

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Abraços de Jaque Geralda

 

– Do capítulo Erotismo

Toda grande viagem começa com desorientação. (…) Tento aceitar a desorientação a fim de permitir o verdadeiro amor. Apaixonar-se é desorientador porque as fronteiras entre os novos amantes não estão estabelecidas (…) Para sermos tocados, temos de estar dispostos a não saber qual será a sensação do toque. Um grande acontecimento teatral é também desorientador porque as fronteiras entre quem está dando e quem está recebendo não são distintas. Um artista estimulante brinca com nossas expectativas e com nossa memória. Esse intercâmbio permite a interatividade viva da experiência artística.

 

Um bom ator também arrebata. A qualidade de sua imobilidade, de seu movimento ou de sua fala é difícil de ignorar. Embora eu não tenha consciência do que ele esteja fazendo para gerar essa presença magnética, sei que não consigo desviar os olhos. Não consigo seguir em frente. 

O que um ator faz para arrebatar? Ele estabelece uma paisagem interna complexa e tenta permanecer presente dentro dela. O ator torna reais simultaneamente as muitas linguagens do palco, incluindo tempo, espaço, texto, ação, personagem, história. A realização disso é um feito excepcional de manipulação de inúmeras coisas ao mesmo tempo. O ato de falar se torna dramático por causa da transformação que ocorre dentro da pessoa que está presente, no momento, envolvida no discurso. E eu também estou ali presente, em relacionamento com essa pessoa que manipula.

 

O teatro é um lugar em que é possível encontrar o outro em um espaço energético não intermediado pela tecnologia. 

 

Um grande ator, assim como um grande artista de strip-tease, esconde mais do que revela. Artistas, ao amadurecerem, chegam mais perto da grande sabedoria encontrada na poderosa combinação de contenção física e expansão emocional. Contenção é a chave. Agarre o momento e todas as suas complexidades: concentre-o, deixe cozinhar e depois o contenha. Essa concentração e contenção geram energia no ator e interesse no público.

 

(…) Sempre achei que os melhores atores possuem um segredo que eles sentem prazer em não revelar. O espectador deve ser atraído para o palco como um detetive na pista de um crime. O ator escolhe quando esconder e quando revelar. 

 

O teatro é o que acontece entre espectador a ator. (…) Quando vou ao teatro, quero sentir a energia e a força do acontecimento. Quero ser considerada parte do ato. Quero participar de um relacionamento. Quero que alguma coisa aconteça.

 

A qualidade de atenção que se oferece no ensaio é a chave para um processo fecundo. (…) Na sala de ensaio, assim como quado fazemos amor, o mundo externo é excluído. 

 

O interesse, aquilo que realmente não pode ser fingido, é um convite à aventura. (…) A principal ferramenta do processo criativo é o interesse. Para ser fiel ao próprio interesse, para persegui-lo com sucesso, o próprio corpo é o melhor termômetro. O coração dispara. A pulsação acelera. O interesse pode ser seu guia. Ele sempre aponta na direção certa. Ele define a qualidade, o vigor e o conteúdo de seu trabalho. Você não pode fingir ou falsificar o interesse ou decidir se interessar por alguma coisa porque aquilo foi recomendado. Ele nunca é recomendado. É descoberto. Quando você sente essa aceleração, tem de agir imediatamente. Tem de perseguir esse interesse e agarrar-se a ele.

 

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Anne Bogart – A violência

1 set

Queridos atores, queridos artistas, queridos internautas

Por indicação do Douglas, estou lendo um livro fantástico chamado: “A preparação do diretor” de Anne Bogart.

Desta vez não falarei do dia a dia do grupo. Este post é um estudo. Colarei alguns trechos esclarecedores do capítulo Violência . Não se contente, porém, com este resumo, leitor querido. O capítulo como um todo merece ser lido, aliás o livro merece. Mas como a vida anda dura, corrida e blá blá, vou tentar seduzí-los com as linhas abaixo.

Este livro não serve apenas para aqueles que querem ser diretores. Serve para todos que querem pensar a arte. Devo confessar que leio do ponto de vista da atriz e me parece o tempo todo que aquilo foi escrito para mim, como se o livro estivesse falando comigo. É tão bom quando isso acontece!

Neste momento farei, assumidamente, uma leve chantagem emocional. Entenda-me bem, meu leitor, isto é por amor:

Qual foi a última vez que você leu um bom livro?

Saio de fininho… silencio devagarinho… deixo você com a sugestão da leitura e passo a palavra à Anne Bogart:

 

Violência

A arte é violenta. Ser decidido é uma atitude violenta. Antonin Artaud definiu crueldade como “determinação inflexível, diligência, rigor”. Colocar uma cadeira em determinado ângulo do palco destrói todas as outras escolhas possíveis, todas as outras opções possíveis. Quando um ator adquire um momento espontâneo, intuitivo ou apaixonado durante o ensaio, o diretor pronuncia as palavras fatídicas “guarde isso”, eliminando todas as outras soluções possíveis. Essas duas palavras cruéis cravam uma faca no coração do ator, ele sabe que a próxima tentativa de recriar aquele resultado será falsa, afetada e sem vida. Mas lá no fundo o ator também sabe que a improvisação ainda não é arte. Só quando houve uma decisão é que o trabalho pode realmente começar. A determinação, a crueldade que extinguiu a espontaneidade do momento, exige que o ator comece um trabalho extraordinário: ressuscitar os mortos. O ator tem de encontrar uma espontaneidade nova, mais profunda, dentro dessa forma estabelecida. E isso, para mim, é o que faz dos atores heróis. Eles aceitam essa violência, trabalham com ela, levando habilidade e imaginação à arte da repetição.

(…)

Gosto de pensar na encenação ou moldagem, como um veículo pelo qual o ator pode se mover e crescer. Paradoxalmente, são as restrições, a precisão, a exatidão, que possibilitam a liberdade. A forma passa a ser um continente no qual o ator pode encontrar infinitas variações e liberdade interpretativa. (…) Na representação cinematográfica, o ator pode fazer alguma coisa por impulso sem se preocupar em repetir aquilo infinitamente. O que é vital para a câmera é que o momento seja espontâneo e fotogênico. No teatro, ele tem de ser repetível.

(…)

Articular-se diante das limitações: é aí que a violência se instala. Esse ato de violência necessária, que de início parece limitar a liberdade e diminuir as opções, por sua vez traz muitas outras alternativas e exige do ator uma noção de liberdade mais profunda.

(…)

Estar desperto no palco exige um ato de necessária violência: a violência da indefinição. Indefinição significa remover os pressupostos confortáveis a respeito de um objeto, de uma pessoa, palavras, frases ou de uma narrativa, e voltar a questionar tudo. O que se define instantaneamente é muitas vezes esquecido. Tudo no palco pode estar adormecido quando é excessivamente definido. (…) A função da arte é despertar o que está adormecido. (…) As palavras “eu te amo”, por serem ditas com tanta frequência, não têm sentido, a menos que sejam indefinidas, distorcidas, reviradas e oferecidas sob uma nova forma. Só então elas tem frescor e serão audíveis.

(…)

A oposição, ou dialética, estabelece sistemas alternativos de percepção.

Na Adaptação para o cinema do musical Cabaret há uma cena em que um lindo rapaz loiro se levanta em uma cervejaria ao ar livre na Alemanha pré-guerra e canta “O amanhã pertence a mim”. É um belo dia ensolarado e, uma a uma, as outras pessoas na cervejaria vão se levantando e cantam junto com ele. Depois de algum tempo, o rapaz loiro levanta o braço no qual está presa uma suástica. Nesse momento o público de hoje se vê confrontado com dois extremos 1) a canção é contagiante, o rapaz é atraente e, se você estivesse lá naquele dia, poderia ter se juntado a ele antes de ver a suástica; 2) o conhecimento das consequências históricas do nazismo. Essa associação entre dois oposto estabelece uma experiência, não fornece uma resposta. A verdade está na tensão entre opostos.

Não se pode olhar diretamente as grandes questões humanas assim como não se pode olhar diretamente para o sol. 

A arte é metáfora e metáfora é transformação. 

 

É isso aí.

Obs: Os negritos são por minha conta.

Até semana que vem 🙂

Lembrando… as inscrições para o curso de mímica continuam abertas:

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A morte que da vida o nó desata – Camões

14 ago

Queridíssimos leitores

No processo de montagem do “Último Sarau” tivemos a fantástica oportunidade de rechear nosso repertório com inúmeras poesias. Então, nada melhor do que este espaço virtual para dividir com vocês algumas delas. Antes, porém, para que entendam melhor a razão que nos levou a esta pesquisa, segue um textinho do nosso diretor Mallet sobre o espetáculo:

Meu primeiro trabalho com os Geraldos foi Números, em que homenageamos, na figura de um grupo de circo mambembe, o artista popular, cuja vida é uma contínua e sacrificial doação, na árdua tarefa de levar a seu público um pouco de alegria e uma boa dose de amor. Um cântico de louvor à multidão de artistas descartados pela cultura de massa.

Neste segundo espetáculo, voltamo-nos para outros artistas, tão descartados quanto os primeiros, porém menos palpáveis, já que sua lembrança depende da vitalidade da cultura e do amor à tradição. Não é possível uma vida rica e exuberante se desprezamos – mais ainda, se ignoramos – nossa história, as grandes obras de arte, as conquistas e os valores que construíram a civilização de que alegremente desfrutamos e que despreocupadamente destruímos.

Nesta peça de corpo presente, temos a pretensão de tornar presente um pouco da alma do nosso povo, de contribuir para a sua ressurreição, lembrando que o futuro depende, em boa medida, do que fazemos hoje com o nosso passado.

Roberto Mallet.

 

Caso você não tenha assistido ao espetáculo e sua curiosidade ficou aguçada, estaremos na quinta-feira próxima, dia 21.08 no Sesc de Campinas e no dia 22.08 em Cosmópolis. Que tal? Mais infos na agenda do lado direito desta página 🙂

 

Fiquem hoje com nada menos que um dos maiores poetas da humanidade: Luis Vaz de Camões. Ler os grandes é um investimento, acreditem!

 

A Morte, que da vida o nó desata,
os nós, que dá o Amor, cortar quisera
na Ausência, que é contra ele espada fera,
e co Tempo, que tudo desbarata.

Duas contrárias, que ũa a outra mata,
a Morte contra o Amor ajunta e altera:
ũa é Razão contra a Fortuna austera,
outra, contra a Razão, Fortuna ingrata.

Mas mostre a sua imperial potência
a Morte, em apartar dum corpo a alma.
Duas num corpo o Amor ajunte e una;

por que assi leve triunfante a palma
Amor da Morte, apesar da Ausência,
do Tempo, da Razão e da Fortuna.

Camões,_por_Fernão_Gomes

Camões por Fernão Gomes.

 

 

Discurso de Chaplin e Mário Quintana

30 abr

Olá queridos leitores

Passadas duas semanas, aqui estou eu mais uma vez para compartilhar com vocês um pouco do nosso trabalho.

Primeiramente, como prometido, gostaria de lhes apresentar a turma do curso livre de sábado, ministrado pela Geralda Maíra. Com vocês os queridos alunos durante um exercício de percepção de grupo:

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Conto também que nossa sessão de cinema, no domingão do dia 27.04, foi uma delícia. Em um clima aconchegante de sofá, guaraná e pipoca degustamos um pouco a genialidade do grande Chaplin. Assistimos a algumas cenas curtas clássicas e ao filme O Grande Ditador, que merece sempre ser revisto.

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Colo abaixo o discurso final de Chaplin que é de arrepiar até os seus cabelinhos mais escondidos (citando o Cícero do Números). Este discurso é uma espécie de testamento da essência da arte deste gênio. Ele diz a que veio e nos faz pensar não só em nossa função como artistas, mas como seres humanos. Vale a pena! 

http://youtu.be/3OmQDzIi3v0

Para fechar, tenho uma BELA novidade! Temos agora aulas de YOGA na sedeeeeeeeeee! Na quarta de manhã das 8:00 às 9:00 paramos um pouco com a correria do dia a dia para dedicar um tempinho a nós mesmas, ao nosso bem-estar. A aula está aberta para interessados, é só ligar. Aviso, porém, que são pouca vagas, já que nós Geraldetes lotamos metade da turma! Eba! Em breve publicaremos mais informações da professora e um pouco sobre o Hatha Yoga.

Despeço-me com um poema recitado por Jasmine (Carol) no ensaio do Sarau desta semana. Mário Quintana e seu projeto de prefácio:

Sábias agudezas… refinamentos…
– não!
Nada disso encontrarás aqui.
Um poema não é para te distraíres
como com essas imagens mutantes de caleidoscópios.
Um poema não é quando te deténs para apreciar um detalhe
Um poema não é também quando paras no fim,
porque um verdadeiro poema continua sempre…
Um poema que não te ajude a viver e não saiba preparar-te para a morte
não tem sentido: é um pobre chocalho de palavras.

Liquidificador de Novidades e Chesterton

13 abr

Depois de uma apresentação super emocionante do Hay Amor! no sábado passado em Rio Claro, que levou muitos Geraldos a trocar suas fotos do perfil do face em uma homenagem de breve despedida… tivemos uma semana de ensaio bastante produtiva e cheia de pequenas conquistas.

Antes de passarmos rapidamente pelas delícias da semana que se foi, precisamos avisá-los de um bafo fantástico: Acontecerá no dia 25, 26 e 27 deste mês, na sede do Geraldão, uma oficina de dança moderna com uma dançarina formada na Unicamp que foi estudar em New York. Uauuu…

Segue o flyer de divulgação. Que tal passar o fim de semana dançando? Não precisa ter experiência anterior!

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Vamo aos acontecimentos:

Novidade 1: temos um novo filtro de água! Ebaaaaaa!!! Adeus galões que se acabam. Agora nossa fonte é infinita! Parabéns produção! Estão todos convidados a nos visitar e tomar uma água geladinha ou… um café mesmo!

 

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Fofoca 2: Nosso Novais foi fazer uma curso de Palhaço em São Paulo com nada mais nada menos que Philippe Gaulier. Segue a foto e sua legenda…. acho que Cícero andou conquistando mais corações…

“Take care of you and Bravo! You have something special. Bravo!”

 

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Fofoca 3:  Segunda depois de ensaio pesado. 23:00. 5 Personagens fogem do CFPT e acabam no City Bar do Cambuí. Elas foram encontradas tomando cervejas com ou sem álcool e filosofando sobre pedras em um idioma caipira não identificado.

 

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Novidade 4: Algumas fotos do talentoso Lucas Gonzaga, que está agora bem pertinho de nós, ficaram prontas… UEBA… primeiro ensaio fotográfico do novo processo de criação. Seguem algumas para matar a curiosidade…. estréia no final de Julho, hein pessoal?

 

 

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Quem quiser mais, dá uma olhadinha no nosso face: https://www.facebook.com/os.geraldos/media_set?set=a.612508038821418.1073741834.100001866810043&type=3

 

Novidade 5: Os Cursos estão bombando. Que semestre mais gostoso este! Quanta gente especial se encontra na nossa casa. Seguem fotos das turmas de Palhaço e do Curso Livre de Quarta. Pessoal de sábado, não fiquem bravos, assim que tivermos uma bela foto de vocês, garanto que ela será postada também:

 

palhaços

 

E para finalizar, deixo-lhes alguns trechos do texto “A ética do País das Fadas” de Chesterton. É maravilhoso!

“As crianças sentem-se gratas quando Papai Noel enche-lhes as meias de brinquedos ou doces.  E eu posso deixar de sentir-me grato ao Papai Noel quando ele me põe nas meias o presente de duas pernas miraculosas?  Agradecemos às pessoas que nos dão presentes de aniversário; charutos ou chinelos.  Não posso agradecer a alguém o presente de ter nascido?”

“Já expliquei que os contos de fadas enraizaram em mim duas convicções.  Primeiro, que este mundo é um extraordinário e admirável lugar, que poderia ter sido muito diferente, mas que ainda assim é deslumbrante; segundo, que diante de tal maravilha e de tal encanto, podemos muito bem ser modestos e submissos às mais bizarras limitações de tão bizarra benevolência.”

 “O sol levanta-se todas as manhãs.  Eu não me levanto todas as manhãs; a variação porém não se deve à minha atividade, mas à minha inação.  Ora, para usar uma frase popular, pode ser que o Sol levante-se regularmente porque nunca se cansa de levantar-se.  A sua rotina pode provir não de uma falta de vitalidade, mas de uma torrente de vida. (…) Os adultos não são suficientemente fortes para exultarem na monotonia.  Mas talvez Deus seja suficientemente forte para exultar na monotonia.  É possível que Deus diga ao sol todas as manhãs: “De novo”, e diga à lua todas as noites: “De novo”.  Pode ser que não seja uma necessidade automática que faz todas as margaridas iguais; pode ser que Deus faça cada margarida separadamente, e que nunca tenha cansado de fazê-las.(…) A repetição na Natureza pode não ser uma simples recorrência; ela pode ser um BIS de teatro.  O céu pode ter pedido BIS ao pássaro que pôs um ovo.  Se o ser humano concebe e dá à luz um bebê humano em vez de dar à luz um peixe, ou um morcego, ou um grifo, pode ser que não seja pelo fato de estarmos fixados em um destino animal sem vida ou finalidade.  Pode ser que a nossa pequena tragédia tenha impressionado os deuses, que eles admirem-na lá do alto das suas cintilantes galerias, e que ao final de cada drama humano o homem seja chamado uma e outra vez à boca de cena.  E a repetição poderá continuar por milhares de anos, por pura escolha, e em qualquer instante poderá acabar.  Os homens podem permanecer na terra por gerações e gerações, e entretanto cada nascimento poderá muito bem ser a sua última apresentação.”

Em suma, sempre acreditei que o mundo tinha alguma coisa de mágico; e agora eu penso que ele talvez tenha alguma coisa a ver com um mágico.”

É um mero sentimento regozijar-se porque o sol é maior do que a terra; e é um sentimento mais saudável regozijar-se porque o sol tem o tamanho que tem.  Um homem prefere emocionar-se com a grandeza do mundo; por que ele não poderia escolher emocionar-se com a sua pequenez?”

 “Assim, eu disse que somente as histórias de mágica são capazes de expressar o meu sentimento de que a vida não é somente um prazer mas uma espécie de excêntrico privilégio.

 “É um bom exercício, nas horas vagas ou tristes do dia, olhar para alguma coisa, o balde de carvão ou a estante de livros, e pensar como seria feliz uma pessoa que conseguisse levar aqueles objetos de um navio prestes a afundar para uma ilha solitária.  Mas é um exercício ainda melhor lembrar-se de como todas as coisas escaparam por um fio de cabelo: todas as coisas foram salvas de um naufrágio.  Todo o homem passou por uma terrível aventura: se acontecesse um secreto parto prematuro, ele não teria existido, como as crianças que nunca viram a luz.  Na minha mocidade os homens falavam freqüentemente sobre decaídos ou arruinados homens de gênio, e era comum dizerem de muitos que eram um Grande Poderia-Ter-Sido.  Para mim é um fato mais denso e mais impressionante que qualquer homem que encontro é um Grande Poderia-Não-Ter-Sido.”

 

Quem quiser Ler o texto na íntegra, está no site do Grupo Tempo: http://www.grupotempo.com.br/tex_fadas.html 

 

Boa semana!!

Jaque

 

 

Um pouco de poesia

2 abr

Cá estamos nós… um pouco sumidos… focados na nova montagem.

Em nosso processo de criação temos visitado muitas poesias maravilhosas que têm embriagado nossas almas. Como na vida abarrotada de homem moderno ocupadíssimo elas encontram pouco espaço, nada melhor do que compartilharmos um pouco com vocês destes pequenos momentos de respiro e inspiração que só uma boa poesia traz. Fiquem com um link de uma gravação do nosso diretor Mallet recitando Mário Quintana e com Cecília Meireles e o poema chamado Inscrição:

 

Se te avistar amigo

que seja como quando nos separamos,

que afetuosa acene tua mão

e haja, nos nossos olhos, alegria

Que seja como naquele momento sem tristeza,

só de esperança:

quando mesmo a chuva parecia verde,

entre as tuas árvores altas

Prometemos encontrar-nos:

mas onde será que se encontram

os que a morte de repente separa,

sem aviso nem despedida?

Em qualquer idioma dirás teu pensamento gracioso

É verdade que os poemas já chegam antes das palavras

As almas, antes dos poemas

Tudo chega antes, posto que tudo já é.

Clara mão de adeuses no jardim cintilantes:

Nunca sabemos quando estamos sendo definitivos,

Fôssemos sempre assim, perfeitos,

para não recordarmos com pena o último instante casual.

 

Link Mallet: http://youtu.be/x0lgpWvA7gI

 

Homenagem a Charlie Rivel

5 mar

Jaque visita o Circus Krone na Alemanha!

A enviada do grupo ao velho mundo olha, observa, pesquisa por todos. Nossa atriz em férias de verão (risos) não perde a chance de beber nas fontes européias.

O Circo Krone é o maior circo da Europa e surgiu em 1870. Possui em Munique uma estrutura fixa para abrigar os espetáculos durante o período do inverno. Por fora um prédio grandioso e por dentro um circo como outro qualquer.

E foi em um dia de muito frio que nossa atriz vestiu a camisa dos Geraldos, foi assistir a um espestáculo e aproveitou para posar ao lado do nosso grande amigo Charlie Rivel. Provando que isso não é só marketing de quem sabe roubar fotos da internet! Sim, ela realmente esteve lá. Olha só:

 

O nome verdadeiro deste palhaço era Josep Rivel, mas ele acabou colocando Charlie em homenagem a Charlie Chaplin.

Durante o processo de criação dos Números, Rivel foi uma grande fonte de inspiração para nós, que vimos e revimos muitas vezes suas cenas maravilhosas.

Josep Andreu i Lasarre “Charlie Rivel”, nasceu acidentalmente em Cubelles (Catalunha/Espanha), no dia 23 de abril de 1896, durante uma das turnês de seus pais (naquela época, saltimbancos ambulantes), que tiveram de interromper suas atuações na rua (não puderam passar o chapéu), para dar a luz ao nosso querido “Charlie”. Seu pai, Pere Andreu Pausas (catalão) e sua mãe Marie-Louise Lasarre (francesa), naquele então, viajavam a pé, de cidade em cidade, empurrando uma carroça onde levavam o escasso material e seus poucos pertences.

Charlie estreou nos palcos aos dois anos. Atuou com sua família em diferentes combinações até que em 1935, por desavenças de todo tipo, inicia sua carreira solo, obtendo fama mundial.

Sua grande sensibilidade e sua enorme capacidade de se comunicar sem palavras o transformaram no mais ilustre, internacional e famoso clown espanhol. Foi considerado como um dos melhores palhaços do mundo.

Sua vida é cheia de histórias curiosas; uma das anedotas mais especiais que lhe aconteceu foi quando entrando no picadeiro, ainda sem começar sua atuação, uma criança começou a chorar desesperadamente (provavelmente era a primeira vez que via um palhaço). Charlie não podia começar sua atuação pois o público estava mais atento ao escandaloso choro da criança que ao palhaço. Charlie se aproximou cautelosamente do menino para fazer-lhe um carinho e tentar acalmá-lo, mas o resultado foi o oposto e o menino começou a chorar ainda com mais força, ao mesmo tempo que o público adulto ria em um tom que misturava diversão e ternura. Rivel, que era profundo conhecedor da psicologia infantil, voltou para o centro do picadeiro e começou ele também a chorar, desconsoladamente, solidariamente. Isso foi o suficiente. O menino se calou no ato, com os olhos bem abertos pela surpresa de descobrir que aquele ser vermelho e ameaçador sabia, também, se expressar com sua mesma linguagem, tão transparente e direta: o choro. E Rivel continuou chorando: “Uuuuuhh!”. Quando, ainda choroso, voltou a se aproximar da criança, que já estava calma e olhando-o hipnotizada, esta tirou sua chupeta da boca e a ofereceu a Charlie, num ato de solidariedade primária. O choro de Rivel parou e o público se desfez em aplausos. O palhaço aceitou a oferta da criança e, hoje em dia, aquela chupeta histórica se encontra numa das vitrines do Museu Charlie Rivel de Cubelles.

Rivel usava, geralmente, um longo e justo vestido vermelho, cabelos grandes e laranjas, e um famoso nariz quadrado, reconhecido, ainda hoje, como “o nariz de Rivel”. Como palhaço, atuava de maneira lenta e meticulosa. Ele aparece em alguns filmes, como no “Os clowns”, de F. Fellini. Sobre a arte do palhaço, Rivel sentenciou: “O palhaço não morrerá jamais!”

Este texto é do mundoclown.com.br. Para quem se interessa por palhaço o site está cheinho de informações.

Vale também registrar mais nomes de peso do mundo clown, que se apresentaram no Circus Krone: Crock e Karl Valentin. Não conhece? Joga no Google.

E para quem quiser ver Rivel na ativa, aqui vão alguns links do youtube:

http://www.youtube. com/watch? v=el8aVumuasI

http://www.youtube. com/watch? v=9hK_G5EdmAk

http://www.youtube. com/watch? v=mnqpoCepV8w

Ah! E a  homepage do circus krone é http://www.circus- krone.de/ en/munich/ index.html.

Divirtam-se!!!!!